.como pode um porta-aviões flutuar?
- Luiz Henrique F. Cunha
- 26 de out. de 2019
- 1 min de leitura
Como pode um porta aviões flutuar?
O peso afundaria qualquer chão.
Por isso, não fica no chão, mas no mar.
Pode a ansiedade nos afundar em depressão?
Pode, porque andamos com os pés no chão.
O chão é a realidade frágil onde rocha vira
entulho e terra, enxurrada.
Oceano é parte finita do infinito, espelha o céu
e é profundo.
Insondável aos homens.
O pensamento é o oceano em nós.
Os sonhos são o infinito em nós e
Se não se pode boiar na terra,
No oceano, só se pode boiar.
Não resistimos às profundezas.
Não se pode sonhar com os pés no chão.
Por isso o deitar.
Dormimos, e a ansiedade,
como um porta aviões,
flutua em sonho.
Há infinito em nós: por dentro e por fora.
O pensamento é oceano.
O mundo afora, finito.
Mergulhos revelam beleza,
pensamento profundo comprime os pulmões.
O muito pensar pode oprimir, mas
há poesia no submergir.
A vida é mais bela quando boiamos.
Contemplamos o finito do céu
e o finito do mar.
Poesia é boiar no pensamento.
Leveza no pensar, que não quer ser filosofia e afundar
em si e a si oprimir em complexidades.
A palavra,
mera impressão de tinta em papel,
lembra os humanos:
mera impressão na terra.
Fazem lembrar as estrelas:
mera impressão no finito, no céu.
Boiar é estar in-finito,
assim como ler uma poesia.
Se aprendêssemos a boiar
não nos afogaríamos tanto.
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