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.como pode um porta-aviões flutuar?

Como pode um porta aviões flutuar?

O peso afundaria qualquer chão.

Por isso, não fica no chão, mas no mar.


Pode a ansiedade nos afundar em depressão?

Pode, porque andamos com os pés no chão.


O chão é a realidade frágil onde rocha vira

entulho e terra, enxurrada.


Oceano é parte finita do infinito, espelha o céu

e é profundo.

Insondável aos homens.


O pensamento é o oceano em nós.

Os sonhos são o infinito em nós e


Se não se pode boiar na terra,

No oceano, só se pode boiar.

Não resistimos às profundezas.


Não se pode sonhar com os pés no chão.

Por isso o deitar.


Dormimos, e a ansiedade,

como um porta aviões,

flutua em sonho.


Há infinito em nós: por dentro e por fora.

O pensamento é oceano.

O mundo afora, finito.


Mergulhos revelam beleza,

pensamento profundo comprime os pulmões.

O muito pensar pode oprimir, mas

há poesia no submergir.


A vida é mais bela quando boiamos.


Contemplamos o finito do céu

e o finito do mar.


Poesia é boiar no pensamento.

Leveza no pensar, que não quer ser filosofia e afundar

em si e a si oprimir em complexidades.


A palavra,

mera impressão de tinta em papel,

lembra os humanos:

mera impressão na terra.

Fazem lembrar as estrelas:

mera impressão no finito, no céu.


Boiar é estar in-finito,

assim como ler uma poesia.


Se aprendêssemos a boiar

não nos afogaríamos tanto.


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© Luiz Henrique Cunha - escritor e professor

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