.vida à pena
- Luiz Henrique F. Cunha
- 26 de out. de 2019
- 1 min de leitura
No passado
ultrapassado
o índio aprendia
via, ouvia, sentia
Sol era relógio,
Vento era música bambus
Abraço ritual diário
No presente
o ocidente
Desaprende a ser
Não vê, não ouve, não sente
Relógio é status pra poucos
Vento vem sujo
(condicionado para poucos)
Abraço é palavra escrita em tela
Ver o papel com tinta
A palavra escrita
Não me mostra o sol
Quanto menos uma tela
Cheia de janelas
Faz o vento trazer o cheiro
No máximo cores
Mas não tem sabores
E o abraço não é real
No futuro, dinheiro será digital,
Amores, só virtuais.
Talvez até os animais, digitais também
Os humanos
Eu não sei
Se criarão mais palavras
Ou se viverão em paz
Trocamos a vida
Pela palavra escrita
Aprendemos de ouvir falar
Ler o que foi dito
Escrito com sangue
De quem vivia
Sem escrever
Enquanto você lê,
Lembra-se que ouviu ou leu:
índio, sol, vento, cheiro e gosto
Aqui não há.
Só palavras.
@LuizHenriqueFCunha , 20/08/2014
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